Palavras Cínicas
Publicado por Toni Calfim em 10/07/2008
“Acredita que falta quem compre toda a gente que se quer vender.”
Estas foram apenas algumas palavras peremptórias da maravilhosa e verdadeira obra Palavras Cínicas, nas letras do senhor português Albino Forjaz. Quando fui apresentada à sua literatura tão bruta e certa, esta foi a afirmação das mais tocantes para mim. O ser humano é das espécies mais recentes neste planeta – e notem o estrago que produzimos em tão escasso período de tempo… Não vou perder minhas horas nem todo o espaço cibernético existente para enumerar os muitos estragos causados pelo homem. Sei também que milhares de defensivas serão explicitadas, listando as vantagens ególatras que o homo sapiens trouxe para o mundo. E por ser parte dessa raça tão insipidamente magnífica, posso tecer com propriedade toda a minha prostração declarada que é existir sob tal forma.
Existe um teórico humanista que declara ser esta nossa era desprovida de ética e valores morais. Essa época medíocre que vivemos, segundo ele, é um tempo em que atitudes amorais e descaso natural estão entre os sentidos mais latentes dentro da sociedade. E tal comportamento não é repulsivo ou sequer questionável: são, simplesmente, os tempos atuais. Assim como houve a Idade da Pedra Lascada, o perído Mesolítico, a Idade da Pedra Polida – estamos assentidos sob a Idade do Cinismo, da Corrupção, da Mentira, da Falácia, da Verborréia, da Inépcia e da Desfaçatez Consentida. Eu, como habitante contemporânea desta fase deplorável, devo acostumar-me com toda a sorte de condutas vergonhosas e mesquinhas dos meus “colegas de período histórico decadente”.
E aos que não pousaram suas egolatrias sobre o desvalimento de ser parte desta espécie, só posso lhes parabenizar por tão excelente adaptação! E para não terminar este post com a impressão de tanto peso e rudeza, finalizo com uma confissão: eu queria mesmo era ser um coala.
Última frase do livro Palavras Cínicas (download da obra no Site do Antonio):
“Corri o mundo todo e por toda a parte vi a mesma desolação, a mesma luta, a mesma tragédia.”







